quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Vote em mim!

O BlogueIsso! está lançando um concurso cultural. É o ProTrema. Consiste em premiar o melhor texto que utilize o trema. Não lembra do trema? Ele anda meio esquecido mesmo... É aquele representado por dois pontinhos colocados sobre a letra U em algumas palavras, como, por exemplo, "Anhangüera". Lembrou? Pois é. E o que você tem com isso? É simples: eu estou participando do concurso, com o texto:


O trema: mais um pedaço da língua que se vai


Vote no meu texto. É o último na lista da enquete. O último, não esqueça! Para votar, clique aqui ou aqui ou aqui.

Publico agora, na íntegra, meu texto - aquele em que você vai votar clicando aqui:


O Trema: mais um pedaço da língua que se vai

Antonio Carlos Lima

Antiqüíssimo. Assim é o trema. É verdade que já foi mais freqüente, antigamente havia até mesmo em palavras como païsinho (para que a leitura fosse pa-i-si-nho e não pai-si-nho). Esta aplicação foi abolida em 1971, em uma pequena reforma lingüística. Vê-se que não é de hoje que a língua – e o trema – passam por ajustes. Lingüistas sempre se dividiram entre os que apóiam o trema e os que acham que ele deveria sumir de vez da língua falada e escrita. O trema dá impressão de eloqüência, é verdade. Mas complica também, admito.

Lembro-me da época em que, nas aulas de língua portuguesa, a professora incluía, na argüição, palavras com trema: “iniqüidade, eqüestre, eqüilátero, deságüem, conseqüente, Anhangüera”. Era uma confusão. Sempre tinha uma ou outra palavra escrita onde eu havia esquecido de colocar o tal trema. E aí quem “tremia” era eu. De raiva. Decidi aprender, esforcei-me e, conseqüentemente, aprendi. Depois disso, a professora podia até mesmo mandar formar frases com palavras com trema: “O pingüim foi seqüestrado, mas o cachorro que comia lingüiça alcagüetou”. Frase péssima, eu sei. Mas era o que dava pra fazer com meu pequeno vocabulário infantil de histórias em quadrinhos.

Agora, com a nova mudança lingüística que se aproxima, o trema vai sair de vez. “Inconseqüentes!”, dizem alguns. “É inexeqüível!”, dizem outros. Não sei aonde vai levar essa decisão. Dizem os grandiloqüentes que esse “enxágüe” é necessário, pois há muito “sabão” na língua. Pode ser. Porém, temo que a língua torne-se por demais exígua e até mesmo míngüe. Não simplesmente pela perda das suas características, mas também pela inserção indiscriminada e cada vez mais freqüente de elementos de outras línguas. Sai o trema, entra o estrangeirismo. Será que ela - a língua portuguesa - vai agüentar? Ou estamos andando a passos largos para o empobrecimento da mesma?

É certo que a freqüência de muitos acentos e sinais confunde. Mas a raiz do problema não é a quantidade de acentos ou sinais freqüentes em uma língua. A raiz do problema é a delinqüência oficializada com esta mesma língua. Delinqüência, sim! Ou como poderei classificar o ensino da língua portuguesa hoje? As crianças não são levadas a pensar o que escrevem, nem a escrever o que pensam. Tornaram-se meras máquinas de repetição, oprimidos pela inconseqüente generalização e banalização das informações transmitidas. Não conhecem a razão da existência dos sinais nem de muitos outros elementos da língua. Pergunte a um jovem o que é uma letra bilabial e ele responderá: “bila… o quê?”. E viva as conversas “limpas” de acentuação e coordenação, reinantes nos programinhas de mensagens instantâneas. oU VAI dize Ki vUxXxE nUNCaH VIU algUeM Tc AXXim??!?!

Na escola, os alunos nem são argüidos mais! “Que saudade da professorinha”, diria Ataulfo Alves… A conseqüência? Sei que vou exagerar (ou não?), mas estamos criando o terreno para futuras gerações de jovens quase eqüinos, lingüisticamente falando. Bem… Talvez não seja de todo mal ou estranho… Afinal, não é necessário ser muito mais que isso pra se chegar à Presidência da República, não é?


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